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Cúpula do Congresso corta relações com líderes de Lula e deixa Planalto acuado
Lindbergh Responde Hugo Motta e Acusa Presidente da Câmara de Agir “na Surdina” em Meio à Crise no Congresso
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), rechaça as declarações de rompimento de Hugo Motta e atribui a “crise de confiança” às “escolhas” do presidente da Casa, que estaria agindo de forma errática.
BRASÍLIA — O cenário político em Brasília foi agitado nesta segunda-feira (24) pela escalada da tensão entre o Executivo e a cúpula do Congresso Nacional. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), reagiu publicamente ao anúncio de rompimento feito mais cedo pelo presidente da Casa, Hugo Motta, com duras críticas à condução da pauta legislativa. Em uma publicação nas redes sociais, Lindbergh rebateu a acusação implícita de que sua atuação teria levado ao desgaste, afirmando que a suposta “crise de confiança” tem origem nas atitudes do próprio Hugo Motta. “Se há uma crise de confiança na relação entre o governo e o presidente da Câmara, isso tem mais a ver com as escolhas que o próprio Hugo Motta tem feito. Ele que assuma as responsabilidades por suas ações e não venha debitar isso na minha atuação como líder da Bancada do PT”, publicou Lindbergh Farias. O líder petista acusou Motta de agir “na surdina” e de forma “errática” na tramitação de propostas, intensificando o mal-estar que já vinha se arrastando após episódios como a polêmica em torno do PL Antifacção, cuja relatoria foi entregue à oposição pelo presidente da Câmara. Motta Acusa Lindbergh de “Erratismo” e Falta de Entrega. O rompimento formal de Motta com o líder do PT ocorre em um contexto de desgaste crescente, conforme relatam interlocutores da Mesa Diretora. Pessoas próximas ao presidente da Câmara apontam que Motta estaria insatisfeito com a atuação de Lindbergh Farias, a quem atribui uma postura errática, a falta de entrega de votos prometidos nas articulações e uma tentativa de repassar à presidência da Casa responsabilidades que, na visão de Motta, seriam de articulação direta do Palácio do Planalto.
Crise Institucional se Alastra ao Senado
O estremecimento da relação na Câmara espelha um cenário de crise ainda mais agudo no Senado Federal. No mesmo momento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-PB), selou seu afastamento com o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA). O ponto de inflexão, segundo aliados, foi a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora não questionem o nome em si, interlocutores de Alcolumbre criticam a “forma como o processo foi conduzido”, ignorando a preferência declarada de parte significativa do Senado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Aliados descrevem o episódio como um “ponto de virada” na relação com o Planalto, com um Alcolumbre “antes e um Davi depois” da indicação, e classificam o rompimento com Jaques Wagner como “definitivo”. Os rompimentos da cúpula do Congresso com dois dos principais articuladores do Planalto — Lindbergh Farias na Câmara e Jaques Wagner no Senado — ocorrem em um momento de extrema sensibilidade para o governo federal. O Executivo ainda não conseguiu aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), etapa crucial para a votação do Orçamento de 2026, e terá de negociar simultaneamente projetos de alto impacto fiscal e político. A crise institucional sugere dificuldades adicionais na tramitação de matérias prioritárias, elevando a pressão sobre a articulação política do governo.