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Ex-Presidente do BRB Cita Ordens de Ibaneis em Meio a Investigação
Brasília, 23/11/2025 – O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afastado do cargo por decisão judicial no âmbito da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), teria alegado a auxiliares próximos que agia no cumprimento de ordens do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A declaração surge como um potencial novo e explosivo desdobramento na crise que envolve o BRB e as investigações sobre a tentativa de aquisição do Banco Master. Segundo relatos obtidos pela imprensa, o ex-executivo, que estava nos Estados Unidos quando foi alvo da decisão judicial e, posteriormente, exonerado pelo governador, teria disparado mensagens a integrantes da cúpula do banco demonstrando nervosismo e dando indícios da linha de defesa que pretende adotar. A menção a ordens superiores sugere uma tentativa de transferir a responsabilidade pelas decisões controversas do BRB para o alto escalão do Governo do DF. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, investiga suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes financeiros na relação entre o BRB e o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada recentemente pelo Banco Central (BC). O BRB, instituição de economia mista controlada majoritariamente pelo GDF, estava em negociações avançadas para adquirir parte do Master. O ex-presidente Paulo Henrique Costa, que comandava o BRB desde 2019, divulgou nota após retornar ao Brasil afirmando que tem “convicção de que sempre atuou na proteção e nos melhores interesses do BRB, seguindo padrões de mercado” e prometeu colaborar com as investigações para a “completa elucidação dos fatos”. No entanto, a alegação de cumprimento de ordens a seus auxiliares adiciona uma camada de complexidade e pressão política ao caso. No plano político, a crise no BRB e o afastamento de seu presidente geraram forte desgaste para o governador Ibaneis Rocha. A oposição já articula a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do DF (CLDF) para aprofundar a apuração dos fatos.
Ibaneis Rocha, por sua vez, defendeu a solidez do BRB e classificou as tentativas de CPI como “movimentos políticos eleitorais”, reiterando sua confiança nas investigações do Ministério Público Federal (MPF), nas auditorias do Banco Central e no Poder Judiciário. O governador trocou o comando do BRB, indicando Nelson Antônio de Souza, ex-presidente da Caixa, para o cargo. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal ainda não se manifestaram publicamente sobre as supostas declarações de Paulo Henrique Costa aos seus auxiliares. A expectativa agora se concentra nos próximos passos da investigação e em um eventual depoimento do ex-presidente às autoridades, onde ele deverá detalhar sua versão sobre o funcionamento interno e as influências políticas nas decisões do Banco de Brasília.
E agora? O foco se mantém na Operação Compliance Zero e nas diligências da PF. A possível colaboração do ex-presidente com as autoridades pode trazer detalhes sobre as supostas “ordens de Ibaneis”. A sabatina de Nelson Antônio de Souza na CLDF e a aprovação do BC são cruciais para a estabilidade do BRB.